Força-tarefa do governo derruba 506 sites de apostas e acha anúncios no ar após a MP
Os Ministérios da Justiça e Segurança Pública e da Fazenda informaram em 27 de setembro de 2026 que derrubaram 506 sites com indícios de oferta irregular de apostas, dois dias depois da MP que proibiu o setor. O monitoramento do governo também encontrou anúncios de apostas ainda circulando no Google e na Meta depois da proibição. As plataformas serão chamadas para uma reunião técnica.
Quem participou da ação
A operação reuniu a Secretaria de Prêmios e Apostas, do Ministério da Fazenda, e três secretarias do Ministério da Justiça e Segurança Pública: a Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) e a Secretaria de Direitos Digitais (Sedigi). Segundo o MJSP, a força-tarefa "derrubou 506 sites com indícios de oferta irregular de apostas no Brasil", com o objetivo de interromper o acesso a plataformas sem autorização. O ministério não divulgou a lista dos endereços derrubados.
O levantamento sobre publicidade foi feito pelo Ciberlab, o Laboratório de Operações Cibernéticas da Senasp, que acompanha as plataformas digitais desde a publicação da MP 1.394, em 25 de setembro.
Anúncios que continuaram no ar depois da proibição
O relatório do Ciberlab separa o que encontrou em cada plataforma. No Google, foram cerca de 1.960 anúncios, ligados a sete domínios, exibidos no Brasil entre 25 e 27 de setembro. Na Meta, a equipe registrou sete anúncios individualmente: dois começaram a circular em 25 de setembro, já com a proibição em vigor, e cinco eram anteriores à MP, mas continuavam ativos. No TikTok, o Ciberlab informou que não conseguiu fazer a mesma verificação, por limitações da própria plataforma no acesso a dados por região.
| Plataforma | O que o Ciberlab encontrou | Período |
|---|---|---|
| Cerca de 1.960 anúncios, de 7 domínios | 25 a 27 de setembro de 2026 | |
| Meta | 7 anúncios | 2 iniciados em 25 de setembro; 5 anteriores e ainda ativos |
| TikTok | Verificação não realizada | Limitação de acesso aos dados, segundo o MJSP |
A conversa com Google, Meta e TikTok
O MJSP disse que vai propor uma reunião técnica com representantes das três empresas. A pauta anunciada tem três pontos: o bloqueio de anúncios, o tempo de remoção de conteúdo e a preservação de dados. O ministério lembrou que a MP deu prazo de dez dias para a retirada da publicidade, que terminou em 5 de outubro de 2026, e que o Ciberlab seguirá monitorando as plataformas.
Cinco dias depois, a contagem era outra. Em 2 de outubro, o MJSP informou que 10.435 sites tinham sido encaminhados à Anatel para bloqueio pelo Ciberlab e pela Secretaria de Prêmios e Apostas, que 3.040 páginas e perfis estavam na lista de remoção (1.974 no Facebook, 375 no Instagram e 605 no Telegram, com cerca de 3,46 milhões de usuários) e que 186 aplicativos das lojas da Apple e do Google tinham sido notificados para sair do ar até 6 de outubro. Pela nossa conta, é cerca de 20 vezes a primeira contagem de 506 sites, em menos de uma semana.
O balanço seguinte saiu em 6 de outubro. Entre 25 de setembro e aquele dia, 13.241 sites ilegais foram encaminhados para bloqueio pelo Ciberlab e pela SPA, uma média de cerca de 1.103 por dia, segundo o MJSP. Os pedidos de remoção nas redes chegaram a 3.552: 1.974 páginas no Facebook, 560 perfis no Instagram, 900 canais e grupos no Telegram, 103 perfis no TikTok, 14 grupos no WhatsApp e um servidor no Discord. Só no Telegram, TikTok, WhatsApp e Discord, esses espaços reuniam cerca de 17,2 milhões de usuários, membros e seguidores, número que pode contar a mesma pessoa mais de uma vez. Comparando os dois balanços, o Telegram foi o que mais cresceu na lista de remoção, de 605 para 900 canais e grupos, e o TikTok apareceu nela pela primeira vez. Quantos anúncios continuaram no ar depois do prazo de 5 de outubro, o balanço não disse.
A MP criou deveres específicos para essas empresas. O artigo 19 fala em "dever de cuidado" das plataformas de internet para prevenir e impedir a circulação de conteúdo que ofereça ou promova apostas. O artigo 20 manda tornar indisponível o conteúdo de terceiros que viole a proibição, e o artigo 21 estende a obrigação às lojas de aplicativos. O artigo 22 prevê sanções administrativas para as plataformas, que vão de advertência à suspensão da atividade.
Como funciona o bloqueio de um site
O bloqueio de endereços não é novo, mas ganhou base própria na MP. Pelo artigo 23, o Ministério da Fazenda e o Ministério da Justiça e Segurança Pública podem pedir o bloqueio ou o redirecionamento de sites de apostas. A Anatel distribui as ordens às empresas de telecomunicações, e o Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) atua sobre os domínios ".br". Na prática, o endereço deixa de abrir para quem está no Brasil ou é redirecionado.
O volume já era grande antes da MP. Segundo o Jornal do Comércio, o Ministério da Fazenda enviou à Anatel, só em 2026, pedidos para bloquear 57.691 endereços de apostas consideradas ilegais, dos quais 10.590 em setembro, o maior volume mensal da série. Esses números são da imprensa; o governo não publicou uma planilha oficial com o total do ano.
O foco em quem divulga
A ação de setembro segue uma linha que o governo já vinha adotando: mirar a divulgação e o dinheiro, e não o usuário. Em julho de 2026, a Polícia Federal fez a Operação Slots, com apoio técnico da Secretaria de Prêmios e Apostas. Segundo a Fazenda, o grupo investigado usava influenciadores digitais para divulgar sites sem autorização para funcionar no Brasil e exibia de forma falsa selos oficiais para parecer regular. A operação bloqueou até R$ 951,1 milhões em bens e valores.
O que está confirmado e o que ainda não se sabe
- Confirmado: 506 sites derrubados após a MP, segundo o MJSP; cerca de 1.960 anúncios encontrados no Google e sete na Meta entre 25 e 27 de setembro; reunião técnica a ser proposta às três plataformas; prazo de retirada da publicidade, encerrado em 5 de outubro; em 2 de outubro, 10.435 sites encaminhados à Anatel para bloqueio e 186 aplicativos notificados para sair das lojas, e em 6 de outubro, 13.241 sites e 3.552 pedidos de remoção nas redes, segundo o MJSP.
- Ainda não se sabe: quais eram os 506 sites e onde estavam registrados; se os anúncios encontrados foram removidos dentro do prazo, o que nem o balanço de 6 de outubro informou; quando será a reunião com as plataformas; como será feita a checagem no TikTok.
O que muda para quem joga
A força-tarefa não tem como alvo o apostador. As medidas recaem sobre sites, anunciantes e plataformas, e a MP não prevê sanção para quem joga. O efeito para o usuário é outro: um endereço derrubado simplesmente deixa de abrir, e um anúncio de apostas visto hoje em uma rede social não vem de uma empresa autorizada, porque desde 25 de setembro nenhuma pode anunciar. Um site que continua oferecendo apostas depois da proibição não tem autorização no Brasil, e quem deposita nele fica sem as proteções que existiam no mercado regulado. Explicamos os sinais de alerta no guia sobre bets ilegais e golpes. Para quem tinha saldo em uma empresa que era autorizada, o saque pelo site acabou às 23h59 de 5 de outubro, segundo o calendário do MJSP, e o restante vem pelos bancos. E se o fim das apostas está sendo difícil, a página de jogo responsável reúne ajuda gratuita.
Perguntas frequentes
Quais foram os 506 sites derrubados?
O Ministério da Justiça e Segurança Pública não divulgou a lista. A nota de 27 de setembro de 2026 fala apenas em sites com indícios de oferta irregular de apostas no Brasil.
Quem pode pedir o bloqueio de um site de apostas?
Pela MP 1.394, o Ministério da Fazenda e o Ministério da Justiça e Segurança Pública. A Anatel distribui as ordens às operadoras e o CGI.br atua sobre os domínios .br.
Anúncios de apostas ainda podem aparecer nas redes sociais?
A MP proíbe toda publicidade do setor desde 25 de setembro de 2026 e deu até 5 de outubro para retirar o material já veiculado. O governo encontrou anúncios ativos depois da proibição e vai discutir o tema com as plataformas.
Por que o TikTok não aparece no levantamento?
Segundo o MJSP, o Ciberlab não conseguiu fazer a mesma verificação no TikTok por limitações de acesso a dados por região na própria plataforma.
O usuário que acessou um desses sites responde por alguma coisa?
A MP não prevê sanção para o jogador; as medidas são dirigidas a operadores, anunciantes e plataformas. Cada leitor deve verificar a lei aplicável ao seu caso.
Fontes
- Ministério da Justiça e Segurança Pública - Força-tarefa derruba 506 sites suspeitos de apostas após a edição da MP das Bets (27/09/2026)
- Planalto - Medida Provisória nº 1.394, de 25 de setembro de 2026
- Ministério da Justiça e Segurança Pública - Governo Federal proíbe bets em todo o país (25/09/2026)
- Ministério da Fazenda - Polícia Federal realiza operação contra esquema de apostas ilegais (15/07/2026)
- Jornal do Comércio (imprensa) - Mais de 57 mil endereços de bets ilegais já foram bloqueados pela Anatel em 2026 (25/09/2026)
- Ministério da Justiça e Segurança Pública - Bets fora do ar: plataformas cumprem determinação e encerram apostas no Brasil (06/10/2026)
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Ler notícia →Esta reportagem é independente e não é patrocinada; nenhuma empresa pagou para aparecer nela. Os fatos foram conferidos nas fontes listadas acima em 29 de setembro de 2026 e podem mudar depois dessa data. Não é aconselhamento jurídico, fiscal ou financeiro. Para maiores de 18 anos. Se apostar deixou de ser diversão, veja a página autoexclusão e ajuda.
